Por William Sousa Freire
RESENHA CRÍTICA
FILME CAPITALISMO: UMA HISTÓRIA DE AMOR
O
título original é Capitalism: A Love Story, traduzida literalmente para
o português como “Capitalismo: Uma História de Amor”. O gênero é
documentário, com duração de 127 minutos. O Longa-metragem lançado em
2009 é de origem Norte Americana sob a direção e roteiro de Michael
Moore.
Michael Moore apresenta no documentário uma análise-crítica e
algumas vezes sarcástica da economia americana desde a sua independência
até os dias atuais, aborda ainda a discussão histórica entre o
capitalismo e a democracia popular.
O filme é na verdade um
Vídeo-Documentário em que se utiliza da técnica de captação da realidade
sem quase ou nenhuma maquiagem para proporcionar este sentido. Faz uso
também de uma narrativa na primeira pessoa colocando o diretor no papel
de entrevistador jornalístico. Outro aspecto é demonstrar que esse filme
poderia ser feito por qualquer pessoa que dispusesse de uma câmera e
uma idéia diferente, instigando o telespectador a pensar que tudo é
possível, inclusive ser contrário ao capitalismo, como o filme propõe.
Em duas horas há uma tentativa de explorar o tema central de maneira
simples e modesta; com um custo baixo, em torno de 250 mil dólares,
muitas vezes tem apenas Michael Moore na produção, como câmera,
assistente, entrevistador e narrador.
O uso também das propagandas
eleitoreiras e os discursos políticos fazem parte da estrutura crítica
do filme, evidenciando as contradições entre o discurso e a prática dos
políticos no senado americano, sem falar os acordos vantajosos que são
fechados entre políticos e grandes empresas e não estando de fora os
juízes, como é o caso PA Child Care onde o juiz Conner fechou o centro
Público de Detenção Juvenil Estadual e arrendou um novo Centro de
Assistência ao Menor no valor de 50 milhões de dólares.
As
propagandas comerciais serviram também de respaldo para o diretor Moore
explorar o tema da última crise econômica mundial que começou nos
Estados Unidos através das corretoras de imobiliárias.
O filme faz
uma abordagem histórico-linear, comparando logo no início o império
Romano ao império Norte Americano reacionário, e foca principalmente a
crise financeira de 2008 que assolou o mundo. A principal causa dessa
crise foi a falta de liquidez bancária, ou seja, para cada dólar
emprestado o banco deveria ter um dólar em “cash money”, o que não
ocorreu. Surge o início de uma revolução popular operária americana em
que famílias resistem aos despejos judiciais em suas próprias casas e
protestam contra falta de empregos nas grandes cidades, fábricas são
fechadas como é o exemplo da General Motors GM americana conhecida aqui
no Brasil como Chevrolet. Depois de tanto tempo de dedicação e trabalho
para chegar ao topo, custe o que custar, o sistema econômico mais feroz
já criado pelo próprio homem vem cobrar a sua parte deste acordo e levar
a tão sonhada “fatia da torta” da classe média americana. Mas a torta
toda, hoje cabe à 1% apenas da população, os mais ricos. No início do
desenvolvimento foi prometido à classe média que a torta iria crescer e
cada um teria direito à sua fatia. Esse discurso foi retomado pelo então
candidato Obama, que prometeu devolver a cada americano sua fatia da
torta, no que foi taxado de socialista, e para ser combatido seu
opositor garantiu que ninguém iria mexer na torta de ninguém, que a
propriedade e a liberdade estariam garantidos na América do Norte.
Não
era assim que queria a classe média, os mais atingidos pela crise, mais
especificamente os proprietários que tiveram suas casas hipotecadas, e
os operários que tiveram suas fábricas fechadas sem receber os seus
direitos trabalhistas, enquanto os bancos de Wall Street foram
ressarcidos de todas as perdas na crise através de transferências
vultosas de dinheiro oriundas do Governo americano. Logo os capitalistas
que defendem a liberdade sem intervenção governamental, foram os que
mais receberam ajuda do governo.
Logo após assistir o filme pensei se
não seria esse o filme mais capitalista que eu tenha assistido, não
pelas imagens do Bush se divertindo ao longo do filme, mas por ter sido
feito pelo Michael Moore, considerado bonachão e sem graça pela crítica,
remete-nos aos velhos filmes do Woody Allen, quando a comédia para ser
boa teria que ser trágica e não poderia deixar de ter um final feliz,
algo muito comum na maiorias dos filmes norte americanos.
Michael
também fez questão de exibir o ator e dramaturgo Wally Shawn em seu
filme e comenta suas atuações no mundo cinematográfico, ao que no meu
ver seja desnecessário a não ser que você queria evidenciar que o ator
faz filmes hollywoodianos e com isso merece credibilidade para falar
sobre economia e atrair mais público para as exibições;
O filme faz
uma abordagem “intimista”, utilizando cenas rápidas, ritmo veloz, cortes
estratégicos, inserções de propagandas, cenas divertidas e uma
narrativa que intimida quando necessário para provar que tudo aquilo é
verdade, na realidade é de fundo totalmente capitalista por que essa é a
atual forma abordada inclusive em filmes hollywoodianos. Michael Moore é
um fenômeno que arrecada milhões de dólares, esse filme arrecadou em
bilheterias U$$ 14,0 milhões (quatorze milhões de dólares).
Mesmo
intitulando-se como documentário o filme faz inserções de atuações do
próprio Moore como nas cenas em que ele dirige um carro forte até os
bancos para resgatar a subvenção desviada dos cofres públicos, e na qual
circula os bancos com fita amarela de interditado por ser cena de
crime, seguindo um roteiro que não revela necessariamente um registro
histórico.
O filme pode ser oportunamente visto por aqueles que
desejam ter uma visão do capitalismo ou mesmo por aqueles que se
interessam por cinema-documentário. Pode ser facilmente utilizado por
professores do ensino médio em sala de aula ou quiçá por professores
universitários, seja de história, economia, das ciências sociais ou do
cinema.
Por fim, cumpre frisar que esse filme é importante por que é
do diretor Michael Moore, que nesse momento atual é um diretor de
documentários consagrado não só nos Estados Unidos, mas em todo o mundo.
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